Cuidado consciente com início da vida.

Estrutura Emocional Homem
E o pai, onde fica nessa história?
Quando um filho chega, algo profundo se transforma não apenas na mulher, mas também no homem. Ainda que pouco se fale sobre isso, a paternidade convoca mudanças emocionais intensas, muitas vezes silenciosas e solitárias.
Enquanto a mulher costuma encontrar espaços de escuta, informação e acolhimento, o homem frequentemente é colocado no papel de quem sustenta, apoia e “dá conta”. Pouco se pergunta como ele está. Pouco se oferece lugar para que ele expresse medo, insegurança ou sofrimento sem ser julgado.
O homem também atravessa uma gestação não no corpo, mas no emocional. A chegada de um filho ativa memórias profundas, histórias familiares, modelos de paternidade e vínculos precoces que, muitas vezes, nunca foram olhados. Mesmo homens que desejam profundamente ser pais podem se sentir distantes, confusos ou emocionalmente desligados, sem entender por quê.
Essas reações não nascem da falta de amor ou de caráter.
Elas costumam estar ligadas a experiências antigas, muitas vezes transgeracionais vínculos interrompidos, ausências emocionais, dores não elaboradas. Quando não há espaço para nomear o que se sente, esse sofrimento tende a aparecer em forma de irritabilidade, isolamento, excesso de trabalho, comportamentos compulsivos ou conflitos no relacionamento.
A parceira, por sua vez, pode se sentir abandonada ou decepcionada ao perceber essa mudança no homem que antes parecia tão disponível. Esse desencontro gera dor para ambos e silêncio para muitos.
A depressão paterna é real.
Ainda pouco reconhecida, ela já é estudada e acolhida em outros países, onde se estima que uma parcela significativa dos homens apresente sintomas depressivos durante a gestação ou após o nascimento do filho.
Cuidar desse pai é cuidar da família.
Quando o homem encontra apoio, escuta e acompanhamento emocional, ele se torna mais presente, disponível e capaz de sustentar o vínculo com a parceira e com o bebê. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza é um ato de responsabilidade e maturidade.
Acolher o sofrimento do pai é interromper repetições.
É oferecer a ele a chance de viver a paternidade com mais consciência, presença e verdade.